quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Uma Região chamada Açores


"O Conselho de Ilha do Faial receia que o plano de revitalização da economia da Terceira possa prejudicar as outras ilhas e afetar o equilíbrio regional.


A ideia foi expressa na última reunião do conselho pelo presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta.


Os conselheiros do Faial temem que o plano anunciado pelo governo para a Terceira, na sequência da redução militar norte-americana na Base das Lajes, dê origem à tão falada plataforma logística.


Telejornal RTP/Açores"


Não posso deixar de ficar (mal) impressionado com os sucessivos exemplos de falta de solidariedade entre alguns responsáveis das nossas nove ilhas. Este exemplo infeliz do conselho de ilha do Faial - com tanta falta de memória do esforço da Região, como um todo, na reconstrução do sismo de 1998 - ou de alguns responsáveis da sociedade civil do Pico e São Miguel, são deprimentes e reveladores de uma mentalidade arcaica já no séc. XIX nos Açores. Em São Miguel apregoa-se a teoria da locomotiva, na Terceira a centralidade geoestratégica, no Faial a centralidade marítima e cosmopolita, no Pico a sua dimensão e presença no triângulo, em São Jorge a sua capacidade produtiva e posição de passagem do triângulo para a Terceira e Graciosa, na Graciosa, a sua orografia e despovoamento, nas Flores e no Corvo, o seu isolamento, dimensão e posto de fronteira da Europa - Sim! - como factores de divisão e de reivindicação sempre presentes na discussão política local e regional. Mas também devem constituir a nossa riqueza. 

Numa Região, tão periférica, tão pequena e tão pouco povoada, custa-me ouvir dividir em vez de unir, desperdiçar características em vez de aproveitar a sua diversidade.

Enquanto acharmos que o futuro do nosso bairro se faz à custa do bairro do vizinho!

Enquanto nos preocuparmos com o que o outro tem em vez do o outro não tem!

Enquanto se achar que o dividendo político é obtido explorando sentimentos primários de posse dos indivíduos!

Enquanto acharmos que devemos exigir solidariedade ao Continente por sermos insulares e periféricos e nos esquecemos da solidariedade devida aos nossos irmãos Açorianos em situação mais precária!

Nunca seremos UMA REGIÃO!       


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